Discurso Sessão Solene 2013/2014

Para quem quiser visualizar em vídeo: Discurso Presidente AEISPA Sessão Solene

Fica aqui também o texto, na integra:

Magnífico Reitor do Instituto Universitário das Ciências Sociais e da Vida, Professor Doutor Rui Oliveira

Exma. Sra. Presidente do Conselho Científico, Professora Doutora Margarida Alves Martins

Exma. Sra. Presidente do Conselho Pedagógico, Professora Doutora Vera Monteiro

Exmos. Srs. Professores e Sras Professoras.

Digníssimos Convidados, caros colegas, amigos e ispianos em geral,

Antes de mais, perdoem-me a informalidade do meu discurso, mas faz parte das minhas funções aproximar-me mais da pessoa por detrás de cada aluno ou professor. É a elas que me dirijo hoje.

Há cerca de 5 anos atrás (mais mês, menos mês), entrei eu nesta casa, de olhos esbugalhados, com um nervoso miudinho na barriga (mais ou menos como agora), de excitação de entrar, finalmente, na faculdade, que parecia, de todo, não ser uma qualquer. Tal como eu, acredito, e quase ouso dizer que sei, que muitos outros alunos sentiram e sentirão o mesmo quando entram por aquelas características portas de vidro.

E, tal como outras gerações antes de mim, e outras vindouras, caí numa rotina mais ou menos confortável: entrava, com energia ou, por vezes, em modo “zombi”, a cambalear de sono, directa ao célebre Bar Aberto, cumprimentando o António, ou Tony, para os clientes mais frequentes, que, como quase por dom, me colocava sempre um sorriso nos lábios com a sua boa-disposição matinal.

O pequeno-almoço, cigarro ou café, enquanto se punha a conversa em dia eram requisitos essenciais para o começo do dia e, simultaneamente, as desculpas perfeitas para se chegar uns minutinhos atrasada às aulas.

Era e ainda é, uma rotina que perdura no meu dia-a-dia e, aposto, no da maioria dos ispianos aqui presentes.

E é precisamente esta palavra que me serviu de inspiração para esta logorreia mascarada de discurso eloquente: ISPIANOS.

Se estivesse no dicionário, certamente explicitava que se trata do conjunto dos alunos desta casa. Mas, com efeito, o que nos torna ISPIANOS?

Seguirmos, quase religiosamente, com poucas variações, uma rotina comum, quase como cultura institucional, parecida à que descrevi à pouco? Passarmos mais horas neste edifício, que é quase como um pequeno bairro, do que na nossa própria casa? Ou estudar psicologia?

Pessoalmente, penso que isto é limitador. Penso que há um je ne sais quoi associado a SER ISPIANO.

Até porque somos imensos, todos distintos e únicos. O que é, então, (e já me perguntei isto várias vezes) ser ISPIANO?

Acho que o cerne da questão está numa palavra que se vai tornando controversa. E podem, depois disto, interpelar-me e marcar o vosso desacordo, mas até isso faz parte integrante daquilo que somos, que é uma família. De tudo, menos de sangue.

Uma família que, como outras, partilha de uma rotina mais ou menos comum, que vive num edifício várias horas, todos os dias.

Que se farta de uns e de outros, que se cansa, que vai ficando sem membros, que desaparecem aos poucos ou que até voltam visitar. Que ralha e se queixa e reclama.

Mas o que nos torna, para mim, de facto, uma família é que, apesar de tudo isto, esta família, a nossa, também se une em alegria ou tristeza, também chora a perda de um de nós, também se diverte e também vai ao rubro quando Portugal ganha.

E imaginem só quantas pessoas, desde que o ISPA existe, neste sítio, já se sentaram precisamente nesse lugar que ocupam agora. A lutar contra o sono que inevitavelmente nos assola nas primeiras horas da manhã; ou a controlar a paciência com os alunos que dormem, ou bocejam rudemente…

E quantas virão, depois de nós?

Alunos, professores, funcionários..que por cá passam, continuam e virão, sentindo-se em casa e que deixam saudade a quem fica. E, sem excepção, todos são ISPIANOS.

Quando cá chegamos, acho que, geralmente, ou estamos perdidos, sem saber o que vamos ser e para onde vamos, ou com certezas sólidas de tudo isso.

Quando de cá saímos, podemos ter mudado de ideias ou continuar incertos e perdidos.

Mas é bom lembrar que, às vezes, o próprio caminho é mais importante que o destino. E, neste caminho, tenha mil e uma encruzilhadas ou seja uma estrada linear e segura, MESMO sem certezas de para onde vamos ou como vamos, todos temos uma certeza: de que, cá dentro, que somos ISPIANOS.

E isso, ninguém nos tira.

Obrigado.

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